POESIA INFANTIL
TELEFONE SEM FIOO primeiro disse:
"excelente".O último entendeu:
"isso é leite".O primeiro disse:
"Ana de salto alto".O último entendeu:
"banana no asfalto".O primeiro disse:
"abracadabra
palavra mágica".O último entendeu:
"água prá cabra
que vai de viagem".
EMBALOS NO COLO DA MÃE
Me embala, mãe
me embala
bem juntinho do teu colo
que me enrolo
que me enrolo
sou um novelo no teu colo.Me embala, mãe
me embala
no quentinho do teu colo.
Faz um bolo
faz um bolo
que depois não te amolo.Me embala, mãe
me embala
me dá um beijo e uma bala.
Me embala, mãe
me embala
é só um pouquinho de balda.
A ARTEIRA E A ARTE
(do livro: O Embrulho do Getúlio)Mamãe me empresta tua bolsa
teu colar e teus sapatos
depois me passa batom
que vou tirar um retrato.Deixa eu me olhar no espelho
deixa só por um instante.
Quero batom mais vermelho
quero um colar bem brilhante.A sala é uma passarela
requebro e faço proeza
sou artista de novela
a rainha da beleza.Será que o sonho termina
quando desço dos sapatos?
Será que baixa a cortina
quando chega ao fim do ato?
COLORIRColorir o Arco- Íris
prá as cores melhor sentires.
Colorir nossa bandeira
prá ela ser bem brasileira.
Colorir o céu e o mar
para os dois formarem par.
Colorir aquela casa
para a noiva que se casa.
Colorir minha cabeça
com a cor que ela mereça.
Colorir meu coração
prá ficar bem bonitão.
BRINCRIAR
Brinca, brinca
de roda cutia
de cinco-marias.
Brinca, brinca
com bola e skate
sozinho ou de trinca.
Brinca, brinca
de casa e boneca
sapata, peteca.
Brinca, brinca
de banda, ciranda
de bice, de prancha.
Brinca, brinca
no pátio, no quarto
na praça, no parque.
Brinca, brinca
ri e te recria
de noite e de dia
O LEÃO QUE CHORAO leão feroz
o leão veloz
também chora.Ora, ora
porque choras leão?E agora, e agora
o que se faz
pra consolar o leão
que chora?Não chora, leão!
Não chora, não!E o leão, responde:
-também tenho um coração!
CHAMEM O POETAEstá torta a reta?
Chamem o poeta.
Não se alcança a meta?
Chamam o poeta.
Querem desvirtuar o asteca?
Chamem o poeta.
A multidão se inquieta?
Chamem o poeta.
A platéia é seleta?
Chamem o poeta.
Algum mal nos afeta?
Chamem o poeta.
O Governo decreta?
Chamem o poeta.
A conta é secreta?
Chamem o poeta.
O tubo não excreta?
Chamem o poeta.
A dama é discreta?
Chamem o poeta.
O ator não interpreta?
Chamem o poeta.
O corrupto se locupleta?
Chamem o poeta.
Não adiantou a dieta?
Chamem o poeta.
Ninguém segue a seta?
Chamem o poeta.
O avô renega a neta?
Chamem o poeta.
O menino caiu da bicicleta?
Chamem o poeta.
Conflito burguês X proleta?
Chamem o poeta.
O lixeiro não faz coleta?
Chamem o poeta.
Não sai a eleição direta?
Chamem o poeta.
Chamem o poeta.
Se um for pouco
chamem um enxame.
Não importa que mais chamem
do que amem o poeta.
Chamem o poeta !
Chamem o poeta!
POESIA PARA ADULTOS
MULHER
Dilan Camargo ( livro: Sopro nos Poros . Ed. Tchê! / 1985 )Não chore na frente de um homem.
Não adore a fronte de um homem.Só atenda, pelo próprio nome.
O que lhe negar, dele tome.Não baixe a cabeça, na frente de um homem,
De frente, com fome, coma esse homem.Devore-o, com a força de seu abdômen.
Não aceite lugar, atrás de um homem.Nunca esqueça, as sombras se somem.
PAISAGEMNunca encontrarás essa mulher
ela é um país sem paisagem
para os teus olhos que não inventam chuvas
e que estão sempre de passagem.Tua distância ainda não é suficiente
para chegares até ela.Ir, chegar e regressar
sobre as tuas próprias pegadas
para verter de novo teu mundo
é tão improvável e impreciso.Se o teu desejo fosse o bastante
para enfim encontra-la
mas não tu a toca com desespero.Nunca encontrarás essa mulher
e essa não é tua sentença
é um mundo que ainda não reconheces.E se acaso a vires no horizonte
não fales nada, não fales nada
porque ainda é cedo, muito cedo.
Quando for encontrada
Essa mulher
Não será a tua imagem será paisagem.
ELA, PÁSSARAQue passe a primeira
a quarta, a quinta semana
e Quintana
na janela do hotel, do ônibus
deslumbra de Poesia, longe...Que passe um minuto
um dia, uns cem anos
e Quintana
apronta a alma
viaja para a Poesia, onde ?Que passe a Poesia
a minha anônima, a dele nome
e Quintana, miraculado
voa com ela, pássara.
POESIA PERRAÉs meu elemento
beco enternecido pela morte do pivete
sopro feroz nas brasas do sofrimento.És meu elemento
boca emoldurada pela dor
respiração contumaz de sangrias.És meu elemento
voz dilacerada entre os dentes
poética sobrevinda das vísceras.És meu elemento
sou a tua breve sílaba
tua maldição dos vocábulosMinha cadela de rua.
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