Não é difícil compreender os ETs
(AGE, 2002, 112p.)

Sinopse
Orelha
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APRESENTAÇÃO

Luís Augusto Fischer
escritor e professor de Literatura

Contos com cara de crônica, aspecto de conversa frouxa e meio familiar, bom humor temperado com três ou quatro dramas mais pesados, uma Laura recorrente que dança e tem pesadelos de perder os movimentos, isso é o que o leitor vai encontrar no livro da Laís, estreante em ficção.

A Laís é jornalista profissional, das competentes, e por isso domina o primeiro dos fundamentos da literatura: justamente as palavras, as frases, essas entidades de aparência tão serena e mansa que, no entanto, costumam maltratar os iniciantes, os ingênuos, os apressados. O caso da Laís é, portanto, o de quem conviveu e convive com elas, palavras e frases, de modo próximo e continuado, o que lhe garante vacina duradoura contra aqueles riscos.

Essa virtude se combina com outra, que igualmente faz bem aos escritores: a capacidade de olhar para os detalhes, para aspectos tidos como secundários por nós outros, que passamos correndo pelas coisas e pelas pessoas. Os contos aqui reunidos mostram logo e sempre que faz todo o sentido para o escritor (a escritora, aliás) enxergar o menor, o obscuro, o estranho, e faze-lo com ênfase, com atenção detida.

Ficou entre parênteses o dado de gênero - escritora, não escritor -; foi sem querer, mas ficou bem, porque deu o destaque que o dado merece e requer. A Laís, que conheço há tempos, desde que ela fazia a Faculdade de Comunicação, olha para todas as coisas de um ângulo inequivocamente feminino. Não, eu não estou dizendo "frágil", nem "delicado", nem nada que lembre qualquer um dos clichês com que nós, homens, costumamos brindar as mulheres. A Laís olha para as coisas com a sensibilidade meio maternal e meio aflita de quem sabe quanto custa a vida, e quanto vale pensar nela por escrito, celebrando-a na forma desses contos.