Poesia
na janela
Vitor
Ortiz - secretário municipal de Cultura
Onze
anos depois, a poesia, mais do que nunca, transita pelas ruas
e entre as pessoas. O poema, artefato lírico, raro, deixou
de ser artigo de luxo e para poucos e passou a conviver diariamente
conosco, quando vamos para o trabalho, quando retornamos, quando
passeamos - desde que se pegue um ônibus da frota do transporte
coletivo de Porto Alegre.
Nas janelas dos ônibus, colados como parte quase natural
da paisagem, os poemas comovem, provocam, dialogam com os passageiros.
Eis a essência do projeto Poemas no Ônibus (concurso
promovido anualmente pela Secretaria Municipal da Cultura, através
da Coordenação do Livro e Literatura, em parceria
com a Empresa Pública de Transporte e Circulação,
Companhia Carris Porto-alegrense e Associação
dos Transportadores de Passageiros), concurso que neste tempo
todo já recebeu cerca de 18 mil trabalhos inscritos,
sendo que nos últimos anos atingiu uma média de
3 mil textos, com aproximadamente mil poetas anualmente candidatando-se
a ter seus versos circulando na cidade.
Assim, Porto Alegre, banhada pelo Guaíba, mergulha na
grande aventura humana que é a poesia. As palavras, ritmicamente
dispostas, acenam ao amor, reconhecem a dor e a alegria de sermos
quem somos, perguntam, dialogam até mesmo com o silêncio.
Enquanto lá fora as avenidas parecem distraídas,
dentro do ônibus os adesivos que contêm os poemas
despertam mentes e corações.
É
este o nosso acento. A arte fala do nosso afeto e da nossa responsabilidade.
A de sermos cada vez melhores pessoas, cidadãos que agem
e, sobretudo, sentem.