Histórias de trabalho 1999
(Unidade Editorial da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2000, 232p.)

Sinopse
Apresentação
Leia um trecho


APRESENTAÇÃO

Charles Kiefer - escritor

O pai da Psicanálise, Sigmund Freud, afirmou que, diferentemente do que se passa na vida das civilizações - nas quais as construções vão se degradando, viram ruínas e dão lugar a novas edificações que as substituem, apagando rastros do passado - no universo mental, as vivências ficam registradas, umas sobrepostas às outras como num enorme palimpsesto, sem que nenhuma desapareça, embora a grande maioria delas permaneça indisponível ou inacessível.

Lendo essa afirmação de Freud, in: MACHADO, Ana Maria Netto. O sexo das letras, imediatamente se estabelece uma relação com os propósitos do Concurso Histórias de Trabalho, iniciado em 1994, que vê na escrita uma possibilidade de trazer à tona o que os trabalhadores, nas mais diversas áreas do fazer humano, mantêm, nem sempre disponível ou acessível em seu universo mental e que é fruto de experiências acumuladas ao longo de suas vidas: e, a partir desse processo - valendo-se de outra possibilidade da escrita -, tornar, ao menos em parte, consciente o produto dessas vivências, pois escrever serve, após uma reflexão sobre nossas experiências, para que saibamos no que foi que mudamos.

É, portanto, em consonância com essas potencialidades de escrita que o Concurso Histórias de Trabalho - desenvolvido pela SMC, com o apoio da Unitrabalho e, neste ano, aliando-se também com o Programa Nacional de Incentivo à Leitura, através de seu Comitê da Região Metropolitana de Porto Alegre - apresenta mais esta edição que contém poesias, crônicas, contos, lembranças e vivências, redação escolar, histórias em quadrinhos e cartuns, ensaios acadêmicos e fotografias, resultado de reflexões que, com certeza passarão pela via da escrita a permanecer não mais apenas na memória de seus autores, mas poderão ser compartilhadas e, por isso, com infinitas possibilidades de repercussão.

Cabe ainda registrar que o Concurso Histórias de Trabalho extrapolou as fronteiras previamente supostas para seu alcance, contando com a participação de pessoas de todo o país, e teve reconhecida sua relevância ao ser incluída sua publicação na lista "livros que queremos - ou devemos ler: biblioteca básica para a formação do professor leitor", elaborada pelos participantes de curso realizado pela Casa da Leitura, Rio de Janeiro (Folha Proler, dezembro/1999).

Com a firme convicção de estar contribuindo não apenas para formação da memória do mundo do trabalho, mas com a possibilidade de construção de uma imagem do trabalhador, já que, segundo Benveniste, "é na linguagem e pela linguagem que o homem se constitui como sujeito", que o Concurso Histórias de Trabalho traz à tona mais esta coletânea de textos, sem perder de vista que usar a palavra é algo que envolve, muitas vezes, grandes riscos e, por isso mesmo, esperanças e ambições maiores.